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Entrevista ao IDEAFIXA

16/04/2019

Por Caio Cruz

(Link para a matéria publicada no site IDEAFIXA)

O brasileiro Rodrigo Honda transforma cotidiano em Arte

"Não observem minhas pinturas influenciados por aquilo que eu disse. O que me interessa é produzir imagens e espero que a relação dos seus olhos com as minhas pinturas seja a mais direta e pura possível, sem filtros retóricos ou intelectuais. Se eu quisesse fazer discursos ou defender teoremas, eu não pintaria quadros. Eu escreveria um livro."

Rodrigo Yudi Honda nasceu e cresceu em São Bernardo do Campo, cidade do ABC Paulista, São Paulo. Tem como ofício e ganha-pão as artes plásticas. Mais especificamente, a técnica empregada pelo pintor é a da tinta a óleo, geralmente associada ao que há de mais clássico e até mesmo erudito na pintura. No entanto, as obras criadas por Honda não poderiam ser mais contemporâneas, retratos do microcosmo urbano brasileiro que gravitam em torno do próprio cotidiano.

"Num primeiro momento, minhas referências visuais são as coisas e situações comuns que vejo por aí, na rua ou na minha própria casa. Num segundo momento, surge o interesse em saber como outros artistas retrataram temas semelhantes ou como resolveram um problema técnico que você está enfrentando naquela hora. Então, através de livros e internet, eu vou pesquisando referências. Meu interesse não é por artistas em si, mas pelo modo como as questões visuais são tratadas e resolvidas por eles."

IDEAFIXA: Como você elege o que vai pintar ou desenhar?

 

RODRIGO YUDI HONDA: Às vezes eu vejo alguma coisa ou situação que me instiga, daí essa coisa fica incubando na minha cabeça e eu fico tentando transformá-la mentalmente em uma imagem. Então, para transportar essa imagem mental para a tela, são outros quinhentos, pois a realidade prática impõe seus limites e me faz lembrar que eu não consigo fazer o que eu quero – eu só consigo fazer o que eu posso. E dentro daquilo que eu posso, eu procuro dar o melhor de mim. A aparência final da obra surge apenas como uma consequência desse esforço.
 

O que tenta transmitir com seu trabalho?

 

Eu procuro retratar as coisas como eu as vejo. Quando estou diante de uma tela em branco, a única preocupação que tenho em mente é aquele problema visual que precisa ser resolvido. Durante o ato de pintar, não estou pensando na recepção do público e, portanto, eu diria que não tenho a intenção de transmitir absolutamente nada. A maneira como o público reage aos meus trabalhos surge como uma consequência, não como uma intenção.

 

Existe uma brasilidade urbana muito característica nas obras.

Tenho recebido comentários recorrentes de que meus trabalhos remetem a uma certa “brasilidade”. Acho isso inusitado, porque eu nunca tive isso como mote. Pra falar a verdade, foram raríssimas as vezes em minha vida que eu saí do perímetro da Grande São Paulo. Portanto, eu não tenho a menor ideia do que seja o Brasil em sua vastidão territorial. Tudo o que faço é retratar as coisas que vejo na minha casa, no meu bairro, na minha cidade. O fato de pessoas de regiões tão distantes se identificarem com meus cenários me leva a crer que existe um Brasil contido no meu quintal.

Essa “brasilidade” não surge de discursos grandiloquentes ou ideais patrióticos. Surge da observação das pequenas coisas da vida que, em geral, são comuns a todos nós que estamos permeados pelos mesmos costumes. Essa “brasilidade urbana” não parte de um ideal arquitetônico e urbanístico advindo de cabeças iluminadas. Surge da espontaneidade dos costumes, que com suas virtudes e defeitos, são o que são.

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